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quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Como a indústria do bem-estar está dominando o mercado do turismo


 

 

ue tal um dia de viagem que começa um com café da manhã rico em ingredientes da culinária local e depois segue para uma incursão a uma montanha, ao lado de um experiente instrutor de educação física? Ou talvez passar alguns dias surfando em uma praia particular, com meditações regulares na floresta tranquila da Costa Rica? Ou ainda aperfeiçoar seus conhecimentos de ciclismo — é claro, com acupunturistas à espreita caso você precise aliviar a dor pós-pedalada? Bem-vindo ao mundo do turismo de bem-estar!!!

O mercado do bem-estar — uma cadeia global de terapias, exercícios, nutrientes e mais — viveu uma ascensão triunfante na última década. As percepções de milhões de pessoas sobre a importância da dieta, do cuidado com o corpo e das práticas saudáveis se transformaram, fortalecendo novos e vibrantes nichos de negócios. E, à medida que o cardápio do bem-estar se expande, os mercados relacionados, do comércio de alimentos à hotelaria, estão começando a oferecer produtos que refletem os valores de consumidores preocupados com corpo e mente.

Marcas que há anos apostam no estilo de vida de bem-estar, como a rede de fitness e serviços Equinox; a SoulCycle, que oferece aulas de ciclismo indoor de alto nível; ou a varejista de roupas esportivas Lululemon, estão fazendo de tudo para acompanhar a corrida e oferecer também a seus consumidores opções de viagens. O turismo de bem-estar é definido pelo Global Wellness Institute (Instituto Global do Bem-Estar, em tradução livre), uma entidade sem fins lucrativos com sede nos EUA, como "viagens associadas à busca por manter ou melhorar o bem-estar pessoal".
Não que estes objetivos sejam uma novidade para quem viaja: pense nas peregrinações ao Mar Morto ou em fontes termais na Ásia. O diferencial agora é que, por um lado, o consumidor vê nessas viagens uma extensão de seus valores e estilo de vida. Da parte do mercado, há maior profissionalização e sofisticação dos programas — o que geralmente significa refeições planejadas rigorosamente, exercícios supervisionados e ênfase nos princípios da atenção plena e evolução pessoal. Isso, claro, tem um preço que chega facilmente aos milhares de dólares — o que faz críticos apontarem para o bem-estar como um privilégio dos mais abastados. Os defensores deste tipo de serviço, no entanto, afirmam oferecer oportunidades de desenvolvimento pessoal e de envolvimento da comunidade.

Mas além das opiniões, vamos aos fatos sobre este mercado. Extravagância em novas fronteiras De 2015 a 2017, o mercado global de turismo de bem-estar cresceu de US$ 563 bilhões para US$ 639 bilhões, ou 6,5% ao ano — mais que o dobro do crescimento do turismo em geral, de acordo com o GWI. Até 2022, o instituto prevê que o mercado chegará a US$ 919 bilhões (18% de todo o turismo global), com mais de um bilhão de viagens individuais em todo o mundo. Anne Dimon, presidente da Wellness Tourism Association (Associação de Turismo de Bem-Estar), acrescenta que, embora qualquer um possa ser um "turista do bem-estar", o perfil principal é de mulheres com nível superior e idade entre 30 e 60 anos.

Quem for cliente da Equinox, a academia de ginástica americana conhecida por suas luxuosas comodidades e alto valor de matrícula (podendo chegar a mais de US$ 3 mil, cerca de R$ 13 mil), pode desfrutar de uma nova linha de viagens de bem-estar holísticas e luxuosas. Clientes assim são o que Beth McGroarty, diretora de pesquisa do GWI, descreve como viajantes "primários" do bem-estar — aqueles que viajam com o foco exclusivo em experiências ou destinos centrados no bem-estar. E embora esse grupo represente apenas 14% dos gastos com este segmento de turismo — os outros 86% vêm de viajantes "secundários", que incorporam atividades de bem-estar em viagens de negócios ou lazer padrão, seu custo médio de viagem é muito, muito maior.

"Viajantes (primários) no nível doméstico gastam cerca de 178% a mais do que o viajante médio", diz McGroarty. "E no nível internacional, eles gastam 53% a mais." Para a Equinox, entrar no ramo do turismo significa recriar a extravagância de sua marca em novas fronteiras. E a fórmula tem se mostrado promissora: Leah Howe, diretora sênior da Equinox Explore (a linha de viagens da marca), afirma que quase 100% de seus clientes manifestaram interesse em participar de uma viagem. Várias das seis excursões planejadas para 2020, cada uma limitada entre 12 a 20 pessoas, já se esgotaram.

O pacote mais barato, uma excursão de quatro dias por Florença, começa em US$ 2.350 (cerca de R$ 10,6 mil); o mais caro, por seis dias de caminhada no Marrocos, a partir de US$ 6.250 (R$ 28,2 mil). Aqueles que puderem desembolsar o último valor chegarão no cume do Monte Toubkal ao lado de dois treinadores profissionais, terão jantares com a culinária local e participarão de sessões de ioga e banho a vapor.

O objetivo do Explore, diz Howe, é que os membros do clube voltem para casa se sentindo melhor do que quando saíram. É por causa de sua conexão pré-estabelecida com a marca que eles confiam na Equinox para tomar as rédeas da viagem. 'Pseudociência' No entanto, pode-se argumentar que cultivar o bem-estar pode ser simples e relativamente barato.

"Os conceitos básicos de uma boa saúde são inequívocos", diz Margaret McCartney, clínica geral atuando Glasgow. "Não fumar, tomar cuidado com álcool, ter uma dieta com frutas, vegetais e cereais integrais, exercício, conexões sociais." Assim, à medida que a indústria do bem-estar cresce, existe o risco de sermos levados a gastar excessivamente?
Isso depende, opina David Colquhoun, farmacologista da University College London e autor do blog sobre ciência DC's Improbable Science. "Ninguém poderia ser contra o bem-estar. Seria como se opor à maternidade ou à torta de maçã", escreveu ele em 2011. "A única questão que realmente importa é: quanto disso funciona?" O segmento de bem-estar, não apenas o de turismo, inclui bastante coisa. Há serviços das marcas como SoulCycle ou Equinox que permitem aos membros esquecer das burocracias e focar no relaxamento, cuidado e prazer. Mas esta indústria inclui também empresas criticadas por promover produtos e práticas cientificamente não comprovadas e algumas vezes danosas, como produtos dietéticos "homeopáticos" ou tênis "minimalistas" que aumentam o risco de lesões. A Goop, marca fundada pela atriz americana Gwyneth Paltrow e que também está entrando no ramo, é frequentemente acusada de promover pseudociência — um programa recente no Netflix sobre a marca e sua criadora, o Goop Lab, foi descrito como um "risco considerável à saúde" por Simon Stevens, chefe-executivo do órgão britânico de saúde National Health Service. Mesmo sob críticas, a marca está crescendo e também dando seus primeiros passos no turismo. Em janeiro, a Goop anunciou seu cruzeiro de estreia — que percorrerá Espanha, França e Itália em agosto por 11 noites e terá programação com aula,  palestras e encontros com Paltrow em pessoa. O preço inicial é de US$ 2 mil (R$ 9 mil).

Kiki Koroshetz, uma das diretoras da Goop, diz esperar que os clientes levem para casa "uma nova perspectiva, um ciclo mental que possa ser reproduzido regularmente na mente de alguém. Uma ferramenta para gerenciar o estresse, para ter uma conversa difícil, para experimentar mais alegria, para encontrar conexão."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Hostel funciona em casa na árvore a 200 metros do chão


 

 

A Nicarágua tem um hostel bem diferente: uma casa na árvore! A construção está na Reserva Natural Volcán Mombacho, pertinho do vulcão homônimo. Para chegar ao Treehouse, um ônibus gratuito sai do Parque Central de Granada e leva os hóspedes até a área do hostel em menos de 20 minutos. A partir daí, só há um jeito de acessar a casa, a uma altura de 200 metros do chão: atravessando uma longa ponte suspensa de metal de 60 metros de comprimento. Ela só é presa por cima, sem vigas de sustentação. Mas, por ser de metal e bem fechada dos lados, não tive medo de atravessar, O Treehouse, como o próprio nome sugere, realmente parece uma enorme casa na árvore, o sonho de qualquer criança. Do lado de fora já dá para ver várias redes e um balanço. O lugar me lembrou um acampamento, todo de madeira, com beliches, o clima familiar e grandes mesas de piquenique, onde todos se sentam juntos durante as refeições (que incluem opções vegetarianas). Dá para se hospedar em quartos individuais e coletivos, como sempre, mas o diferencial é poder acampar em barracas ou até dormir nas redes – neste caso, você pode guardar os pertences importantes em cofres.

Para aproveitar a natureza estonteante da região, o hostel organiza trilhas, escaladas, tirolesas — hóspedes têm desconto — e leva seus visitantes para nadar em lagos "secretos" da floresta, apenas acessíveis com jipes 4×4. Um dos locais de mergulho é parte da Laguna de Apoyo e o outro é na região vulcânica Aguas Agrias.

 


 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021


 

 

Qual o tipo de animal que você associa com praias paradisíacas? Gaivotas, peixes, talvez golfinhos? E que tal flamingos? Pois quem gostaria de encontrar estas nada discretas aves ao vivo, sem ser em um zoológico, tem destino certo: o Caribe. As nada discretas aves são a atração principal de um resort em Aruba. O local, que funciona em uma ilha particular, com acesso somente aos hóspedes de um resort voltado para o público adulto.

No entanto, visitantes são bem-vindos em passeios de um dia, mediante pagamento de uma taxa. É possível alimentar os animais e, sim, tirar fotos com os "anfitriões" emplumados, que passeiam entre as espreguiçadeiras e os turistas sem preocupação.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Hospedagem gratuita no exterior? Basta ficar cuidando do animal de alguém !

 


Curtir o belo pôr do sol do Caribe, conhecer um dos famosos pubs londrinos ou ainda usufruir do clima urbano de Boston, nos Estados Unidos. Tudo isso sem gastar dinheiro algum com hospedagem. Essa é a promessa do site Trusted Housesitters, que liga viajantes a proprietários de casas em 140 países ao redor do mundo. A ideia lembra um pouco o esquema feito pelo Airbnb, em que donos alugam suas casas enquanto estão fora da cidade. No entanto, a diferença está na contrapartida: neste caso, a hospedagem é dada em troca da pessoa cuidar dos animais de estimação do proprietário, enquanto ele está viajando de férias. Para quem vive em um apartamento estilo "caixa de sapatos",  muito comum nas grandes cidades, pode ser a oportunidade de realizar a fantasia de ter seu próprio animal e ainda economizar. Dá para cuidar de cachorros de todas as raças, gatos e até de galinhas e outros animais, se necessário. Responsabilidades O contato entre as duas partes é feita pelo site. Ao anunciar a propriedade, os donos já dão algumas dicas sobre como funciona sua casa e ainda destacam as responsabilidades do futuro hóspede. Magie, uma proprietária de Boston, por exemplo, pede que a pessoa "saia para passear três vezes ao dia com sua cachorrinha, a schnauzer Sweet Pea, assim como dê comida antes de meio-dia e ainda durma com ela todas as noites".

Para participar, basta se inscrever de forma gratuita no site, mas é necessário pagar US$ 119 anuais (R$ 376, em valores convertidos em 24/01/2017) para se tornar um membro oficial e tentar encontrar uma vaga em alguma das casas disponíveis.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Já pensou em alugar uma ilha particular em Belize?

 


Se você acredita que as únicas pessoas que passam suas férias em ilhas privadas são os ricos e famosos, melhor pensar novamente: a remota e linda Bird Island, localizada a apenas 20 minutos da Vila de Placencia, em Belize, vai fazer você se sentir como a realeza - mesmo que apenas por alguns dias. E a melhor parte disso tudo é o aluguel acessível: sai R$ 1274 por noite....

A propriedade está disponível no site AirBnb e a permanência mínima é de três dias. De tão remota, só é possível chegar na ilha com a ajuda dos proprietários, que aproveitam para levar seus inquilinos em um passeio de barco de 30 minutos por seu oásis privado. Uma vez que a pessoa chega lá, consegue entender o clima - afinal, fica literalmente cercada pela água azul do mar.

Quase todos os quartos da casa tem vista para o paraíso, tanto que até dá para ver o oceano da cama principal. E quem curte snorkeler, que é a prática esportiva de mergulho em águas rasas com o objetivo de recreação, relaxamento e lazer, vai adorar. Tudo o que precisa fazer é relaxar nas águas enquanto observa alguns dos melhores recifes do mundo. É basicamente o destino de sonho de qualquer lua de mel, ou de um casamento de conto de fadas. Mas também dá para ter a melhor reunião familiar da sua vida, uma vez que crianças e adultos irão apreciar tudo o que a ilha tem para oferecer

domingo, 8 de agosto de 2021

Você sabe onde foi gravado 'Mamma Mia 2'? Não foi na Grécia!






Embora o filme ainda se passe na ilha grega de Kalokairi, a Croácia foi a escolhida como cenário para a sequência do musical

Dez anos depois, a sequência de Mamma Mia! chega aos cinemas do País sem o mesmo brilho do primeiro, mas com ainda mais inspirações para viajantes. Mamma Mia: Lá vamos nós de novo! usa como mote a inauguração do Hotel Bella Donna para contar como Donna (Maryl Streep) chegou à ilha grega de Kalokairi e se envolveu com os três pais de Sophie (Amanda Seyfried). E, para isso, se vale de muitos flashbacks.

 No primeiro filme, a Kalokairi da vida real é a ilha grega de Skopelos, no Mar Egeu (sim, a capela no alto do rochedo à beira-mar é verdadeira). Desta vez, a ilha de Vis, na Croácia, faz o papel de Kalokairi. E não decepciona.



O filme, contudo, coloca em pauta outras sugestões de destinos para viajantes que tenham dentro de si a mesma necessidade de explorar o mundo da jovem Donna (Lily James). Separamos algumas delas abaixo.

 O início de tudo

Quando o filme começa, Donna está se formando na faculdade. A deixa para entoar When a Kiss The Teacher é o discurso de formatura — a cena em que os formandos saem de bicicleta foi gravada em Wytham, vilarejo de 131 habitantes a 1h30 de Londres. Dali, Donna chega a Paris, onde encontra o jovem Harry (Hugh Skinner), antes de rumar à Grécia.
 Kalokairi

Se você for fã, tiver tempo e alguma boa vontade, até dá para conhecer a Kalokairi dos dois filmes. Entre Skopelos, na Grécia, e Vis, na Croácia, são cerca de seis horas de voo (com conexão), sem contar o deslocamento marítimo. Skopelos está a 2h30 de ferry de Vólos - que, por sua vez, fica a 3h30 de Atenas. Vis está a 2h30 de ferry da histórica cidade de Split. Tudo fica mais fácil se você for uma estrela da música: nesse caso, é só chegar de helicóptero, como Ruby (interpretada por ninguém menos do que Cher).
 Os penhascos escarpados, a água cristalina e a infinidade de cenas à beira-mar (além da trilha sonora do Abba) continuam em Mamma Mia 2. Com cerca de 3 mil habitantes, a ilha de Vis tem só um hotel (San Giorgio, diária a partir de 110 euros). Por isso, muita gente se hospeda em apartamentos de aluguel de temporada ou villas charmosas, como fez o elenco.

A maior parte das filmagens se deu em outra parte da ilha, Komiza. A praia de Stiniva, considerada a mais bela da Europa em 2016, será reconhecível nas tomadas em que Bill (na juventude, Josh Dylan) e Donna saem de barco. A taverna onde Donna e suas amigas se apresentam é, na verdade, o restaurante Jastozera, e a pizzaria Pansion Dionis se transformou no mercado de Kalokairi. Na vida real, o melhor restaurante da ilha não entrou nas filmagens: Pojoda, no centro de Vis.

Infelizmente, o Hotel Bella Donna é fictício - embora haja uma página para explorar o local, como se fosse real. Acesse aqui, mas cuidado com os spoilers.

 Outras paradas

Donna não é a única viajante da história. Sky (Dominic Cooper) começa o filme em Nova York, onde estuda hotelaria. Harry (Colin Firth) aparece em Tóquio, em um arranha-céu com vista para as inconfundíveis luzes de néon da cidade. Bill (Stellan Skarsgard), por sua vez, está em Estocolmo, mas pouco se vê da capital sueca. Use como inspiração.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Uma história de superação e viagens



Conheci a Mellina através de um post no Instagram…achei muito curioso um blog de viagens se chamar 4pataspelomundo e resolvi entender melhor. E não é que descobri uma história linda de superação…e viagens!

Pois é, a Mellina é uma jovem de 35 anos, formada em Turismo que sempre gostou muito de viajar com a família e os amigos. Para ela viajar representa uma possibilidade de autoconhecimento – um mundo de novas experiências e aprendizados únicos.
 Aos 14 anos descobriu uma degeneração na retina e começou a perder a visão progressivamente. Aos 27 anos a doença se agravou e ela precisou encarar o fato de que era deficiente visual. Precisou aceitar a bengala e as transformações que a vida lhe impôs.

Como todo processo de transformação, Mellina teve que encarar de frente seus medos, dúvidas e inseguranças. Com o apoio da família conseguiu aceitar sua nova condição de vida e vencer seu próprio preconceito com a doença que a afligiu. E, a partir da aceitação, conseguiu retomar as rédeas da sua vida – seus outros sentidos ficaram mais aguçados e aos poucos foi retomando a autoconfiança.
Mas…o que tudo isso tem a ver com viagem? Bom, eu achei super inspirador saber que, apesar de hoje ter apenas 3% da visão, a Mellina retomou seu hábito de viajar e agora desbrava e experimenta o mundo de uma forma muito mais sensorial na companhia da Hilary, uma labradora preta fofíssima, que é seu cão-guia.

 Mel, como foi se adaptar a condição de deficiente visual?

No início foi muito difícil, quando precisei aceitar a bengala e encarar que era deficiente visual. Foi uma época bem complicada da minha vida, precisei trabalhar várias coisas em minha mente para conseguir seguir em frente, e uma delas foi enfrentar o meu próprio preconceito. Tinha vergonha de usar a bengala e mostrar para as pessoas que eu era deficiente visual, como se isso fosse mostrar a minha fraqueza.
 Como a Hillary entrou na sua vida?

A Hilary chegou em minha vida no começo de 2014, através de um projeto do SESI SP, em parceria com o Instituto IRIS. Passei por um processo de adaptação e treinamento intenso para aprender a “enxergar” com os olhos dela – aprender a ser guiada e confiar totalmente nela, pois nunca sei do que está desviando e o que tem a nossa frente, aprender a usar o equipamento (arreio) e os comandos certos. Aos poucos fomos nos conhecendo e o carinho crescendo. Hoje digo que ela é como um filho, preciso me preocupar com alimentação, banho, escovar dentes, pelo, brincar, levar ao banheiro. E como todo filho tem alguma característica da mãe…a Hilary, assim como eu, adora viajar!

 Você voltou a algum lugar turístico que já conhecia após perder a visão?

Sim. O mais marcante foi Orlando. Sempre fui apaixonada por essa cidade, sempre amei a magia dos parques e em 2017 tive a oportunidade de retornar. Confesso que foi um pouco nostálgico, fiquei olhando as coisas que antes eu enxergava e só via uma névoa, sem definir imagens, ao anoitecer conseguia ver melhor as luzes e alguns detalhes, mas a claridade me incomoda bastante. Mas isso foi só no início, depois curti tudo da mesma forma, me atentando mais aos sons e cheiros! E claro, da energia daquela terra encantadora!
 Você conheceu algum lugar novo, que nunca tinha estado, após perder a visão?

Vários lugares novos desde que perdi a visão. A experiência de viajar sem enxergar é diferente, não aprecio a beleza do lugar, mas a energia, o contato com as pessoas, o vento, o som, cheiro, gastronomia, ou seja, só não uso a visão!

Como é viajar com um cão guia? Ela vai com você dentro do avião? Existem trâmites especiais?

Eu sempre falo que veio o cão-guia certo para mim! A Hilary adora viajar e conhecer novos lugares. Ela vai dentro do avião junto comigo, dorme nos meus pés a viagem toda, assim é quando viajo de ônibus também. A única coisa que preciso é ter as vacinas dela em dia, estar sempre com a carteirinha comprovando que ela é um cão-guia e ela estar usando os equipamentos de guia (arreio). Para viagens internacionais preciso também do CVI, documentação fornecida pelo Ministério da Agricultura.

 E nos hotéis, precisa escolher hospedagens “pet friendly” ou cão guia é aceito em todos os estabelecimentos?

Existe uma lei onde cão-guia tem livre acesso em todos os locais, incluindo hotéis. Nem todos respeitam a lei, mas com um pouco de conversa somos aceitas, mesmo que não seja sempre de tão bom grado.
 Já passou algum aperto com a Hilary em alguma viagem?

Já passei pelo descumprimento da lei. Recentemente fui a Buenos Aires e não fomos aceitas em vários estabelecimentos (restaurante, mercado, farmácia), mesmo explicando sobre a lei. Como estávamos em outro país, às vezes, fica mais complicado brigar para que respeitem a lei.

Já se sentiu discriminada por conta da deficiência visual em alguma viagem?

Por conta da deficiência visual não me recordo de nenhum acontecimento, a discriminação acontece mais por causa do cão-guia. De um modo geral sempre sou bem tratada.
 Em suas viagens, sua família a acompanha ou você viaja sozinha com a Hillary?

Depende da viagem, às vezes vou sozinha, com namorado e/ou família. Gosto de viajar sozinha, por mais que sozinha tenha mais dificuldades pois dependo de outras pessoas para me ajudar, a experiência é bem diferente, acabo tendo mais contato com outras pessoas e isso me traz uma percepção diferente das coisas.

E você tem alguma dica de hotel ou passeio que surpreendeu pelo atendimento?

Recentemente fomos para Caldas Novas e ficamos no Suites Le Jardin, o atendimento foi maravilhoso! O Golden Park em Curitiba também nos atendeu muito bem as 2 vezes que fomos. O Hotel Glória em Blumenau foi sensacional também! Um passeio inesquecível foi a visita que fiz na Caverna em Botuverá, o guia foi mega atencioso e me deixou tocar nas coisas dentro da caverna, o que não permitem mais porque infelizmente as pessoas estavam destruindo as estalactites.

Inspirador, não é ?!? Adorei a história da Mellina…está aí alguém que sacudiu a poeira, deu a volta por cima e foi viajar! Mel, parabéns pela atitude, obrigada por compartilhar sua história e que você siga inspirando muitas pessoas!